Eleva promove encontros com foco em integridade e estratégia
19/03/2026
O segundo encontro do Eleva 2026 foi marcado por debates práticos sobre os desafios da atuação institucional em um ambiente cada vez mais digital, e por estratégias para fortalecer o papel do cooperativismo nas eleições gerais deste ano. Realizado na terça (17) e quarta-feira (18), o evento reuniu dirigentes estaduais, integrantes do Time de Relações Institucionais do Sistema OCB, especialistas e parceiros em uma agenda voltada ao alinhamento e à qualificação da representação política do setor.
Inserido em um contexto estratégico, em ano eleitoral e etapa final do atual ciclo do Programa de Educação Política, o encontro reforçou a necessidade de preparo técnico e atuação coordenada para ampliar a presença do cooperativismo nos espaços de decisão.
“Estamos falando de estratégia, mas também de responsabilidade. O cooperativismo tem legitimidade, tem pauta e tem impacto real na vida das pessoas. O nosso desafio é transformar isso em presença qualificada nos espaços de decisão”, afirmou a superintendente do Sistema OCB, Fabíola Nader Motta, ao reforçar o papel do Eleva como espaço de construção coletiva e preparação do sistema para um ciclo decisivo.
A programação teve início com a paletra magna de Christopher Garman, diretor-executivo para as Américas da Eurasia Group, que apresentou uma análise estratégica abrangente sobre o cenário político e econômico, conectando tendências internacionais aos impactos diretos no Brasil. Em sua exposição, ele abordou desde a reconfiguração da ordem geopolítica global até as perspectivas para as eleições de 2026, destacando riscos, oportunidades e os principais vetores que devem influenciar o ambiente de negócios e a agenda pública. Com uma visão baseada em dados e inteligência política, Garman ofereceu insights importantes para compreender os desafios e oportunidades para o cooperativismo nesse contexto.
Conscientização
No segundo dia, a programação contou com painel sobre as perspectivas para a representação institucional do cooperativismo, com participação de Rodrigo Almeida, consultor de Relações Internacionais da BMJ, e Marcelo Tokarski, sócio-diretor da FSB. A mediação ficou com Eduardo Queiroz, gerente de Relações Institucionais do Sistema OCB. O debate abordou o cenário político e os caminhos para qualificar o diálogo com o poder público, destacando a importância de posicionamento estratégico e articulação institucional.
Também foram apresentados os principais resultados da pesquisa sobre a percepção de parlamentares em relação ao cooperativismo e à atuação institucional no Congresso Nacional, trazendo uma leitura estratégica sobre reputação, influência e posicionamento do setor. O estudo evidenciou o avanço expressivo no reconhecimento e na credibilidade da OCB, o aumento do conhecimento de suas ações entre deputados e senadores e o fortalecimento do cooperativismo como agente de desenvolvimento local e regional.
Na sequência, o painel Integridade e compliance na era digital, foi conduzido por Francine Pacheco, CEO da Gannet Consultoria, e Paula Abbas, especialista em inovação da Pleita Branding Político, com mediação da coordenadora de Relações Governamentais do Sistema OCB, Bruna Chaves. A apresentação abordou os desafios da integridade e do compliance na era digital, destacando como as tecnologias disruptivas, especialmente a inteligência artificial, estão redefinindo a política, a comunicação e as relações de poder. Ao evidenciar o papel dos algoritmos como mediadores da esfera pública, a exposição trouxe reflexões sobre os riscos da desinformação, da hiperpersonalização de mensagens e da fragmentação da realidade, que impactam diretamente a confiança nas instituições democráticas. Nesse contexto, foi reforçada a importância de novas práticas de transparência, responsabilidade e educação digital, além da valorização da autenticidade e da confiança como diferenciais estratégicos para lideranças em um ambiente cada vez mais orientado por dados e pela disputa por atenção e percepção.
Preparação prévia
O encontro também destacou como fatores comportamentais influenciam decisões. Experimentos clássicos de conformidade social indicam que a pressão de grupo pode levar indivíduos a concordar com posições equivocadas, um risco que, nas relações governamentais, pode comprometer a integridade e a credibilidade institucional.
Diante desse cenário, as especialistas reforçaram a importância de procedimentos objetivos como a verificação de fontes antes do compartilhamento de informações, o uso de canais oficiais, o registro de interações institucionais e a preparação das equipes para lidar com novas tecnologias, como deepfakes.
O período eleitoral, por outro lado, foi apresentado como uma janela estratégica para o cooperativismo. A maior abertura ao diálogo por parte de candidatos e lideranças políticas exige preparação prévia, definição clara de pautas e organização das informações que serão levadas às agendas institucionais. A orientação é que o setor atue com base em dados.
Engajamento
O workshop Do propósito ao voto, conduzido por Paula Abbas e Viviane Camargo, estrategista de marca da Pleita Branding Político, aprofundou essa abordagem ao propor caminhos para conectar a identidade do cooperativismo às estratégias de comunicação e engajamento político. A atividade trabalhou, na prática, como estruturar mensagens, posicionamentos e narrativas capazes de dialogar com a sociedade e com os tomadores de decisão.
Sistema OCB