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O cooperativismo virou cultura, agora precisa virar consciência

Em tempo de Copa do Mundo, o cooperativismo brasileiro tem uma vitória para comemorar. Em junho, demos um passo à frente para fortalecer as cooperativas com a publicação da Lei nº 15.433/2026, que reconhece oficialmente o cooperativismo como manifestação da cultura nacional. 

A conquista faz justiça a um movimento que há décadas melhora vidas, revigora comunidades e constrói uma economia mais equilibrada. Mais do que um modelo de negócio, o cooperativismo é uma forma diferente de organizar as pessoas, baseada na participação e na divisão dos resultados.

A nova lei também reconhece uma realidade considerável: o Brasil tem hoje 26 milhões de cooperados. É um número expressivo, mas que ainda representa apenas cerca de 12% da nossa população. Tenho defendido neste espaço que há espaço para muito mais. 

O curioso é que uma parcela enorme dos brasileiros convive com cooperativas todos os dias sem sequer perceber. Está na produção de alimentos, no crédito, na saúde, na infraestrutura, no consumo, no trabalho. O cooperativismo é parte da nossa vida, mas ainda não está suficientemente conhecido.

E aqui está o ponto que precisamos discutir neste momento: reconhecer o cooperativismo como cultura nacional é uma vitória, mas está longe de ser a linha de chegada.

Tenho a oportunidade de conhecer realidades cooperativistas de países como Alemanha, Canadá e Espanha. Nesses lugares, o cooperativismo faz parte do cotidiano das pessoas e está presente na própria compreensão da sociedade sobre como a economia pode funcionar.

No Brasil, ainda precisamos avançar muito. De maneira didática, cito três passos necessários para isso acontecer. 

O primeiro é transformar o cooperativismo em política pública. União, estados e municípios precisam enxergar as cooperativas como parceiras estratégicas para o desenvolvimento. Isso significa estimular a formação de novas cooperativas, facilitar a criação delas e incluir o cooperativismo nas agendas de desenvolvimento econômico e social.

O segundo passo é colocar o cooperativismo dentro das escolas. Se queremos uma cultura cooperativista de verdade, ela precisa começar cedo. Ensinar crianças e jovens sobre cooperação, participação e responsabilidade coletiva é preparar uma geração mais consciente sobre formas cidadãs de construir soluções.

O terceiro é fazer com que o cooperativismo chegue aos lares. Quando o tema passa a fazer parte das conversas dentro de casa, das escolhas do dia a dia e da forma como as famílias enxergam a relação com a comunidade, ele deixa de ser apenas uma possibilidade e passa a ser verdadeiramente uma cultura. Na minha casa, falar sobre cooperação com os meus filhos é rotina. E na sua? 

O cooperativismo brasileiro tem uma história e uma contribuição enormes para o país. Agora, o desafio é fazer com que esse gigante deixe de ser conhecido apenas por quem já participa dele e passe a fazer parte da consciência de todos os brasileiros.

Marcelo Vieira Martins

CEO da Unicred União e autor do livro “Feito à mão – As pessoas no centro das transformações”

 

 

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